Compliance PJ: 10 Riscos e Guia Preparatório Auditoria para Empresas Com PJs

Compliance PJ

Compliance PJ é a capacidade de comprovar, com documentos e registros, que a contratação de prestadores de serviços segue a legislação trabalhista e não configura fraude. Em outras palavras: compliance é assegurar que o contrato com pessoa jurídica é legítimo, e não uma CLT disfarçada.

Parece simples até chegar uma auditoria e você descobrir que faltam contratos assinados, que ninguém sabe onde estão as notas fiscais de 2022, e que aquele desenvolvedor “PJ” trabalha das 9h às 18h há três anos no mesmo projeto. Aí o simples vira caro.

Em 2024, a Justiça do Trabalho recebeu 285.055 processos pedindo reconhecimento de vínculo empregatício. Um aumento de 57% em relação a 2023, segundo dados do Tribunal Superior do Trabalho. O tema “pejotização” saltou da 40ª posição em 2018 para a 16ª no ranking de assuntos mais recorrentes. A importância do compliance nunca foi tão evidente para empresas brasileiras que contratam prestadores.

Este artigo entrega o que você precisa para estar em conformidade e não virar estatística: os 10 riscos trabalhistas mais comuns, as evidências que protegem sua empresa, e um checklist completo para passar em qualquer auditoria sem surpresas.

Uma mesa com uma lista de verificação de auditoria, uma caneta e um par de óculos por cima

O Que Significa Estar Audit-Ready na Gestão de PJ

Estar audit-ready significa ter capacidade de apresentar, em 24 horas ou menos, toda a documentação que comprova a legitimidade das contratações PJ da sua empresa. O conceito de compliance aplicado à gestão de PJ vai além de ter papéis guardados em pastas. Compliance é estrutura, rastreabilidade e evidências organizadas em conformidade com leis e normas vigentes.

A realidade da maioria das empresas é diferente. Contratos em PDFs espalhados por e-mails. Notas fiscais em pastas do Google Drive sem padrão de nomenclatura. Comprovantes de pagamento que dependem de alguém do financeiro lembrar onde salvou. Quando a auditoria chega, vira correria. Diversas empresas passam por isso.

Segundo o IBGE, o Brasil tem 6,8 milhões de trabalhadores atuando como pessoa jurídica. Desses, uma parcela significativa presta serviços para empresas em modelos que podem ser questionados pelo setor jurídico. Empresas que não têm um programa de compliance implementado têm problema.

O objetivo do compliance nas empresas envolve três pilares fundamentais. O primeiro é documentação completa, ou seja, contrato, aditivos, notas fiscais, comprovantes de pagamento e evidências de entrega para cada prestador. O segundo é rastreabilidade, que significa conseguir reconstruir toda a história de um contrato do início ao fim, com datas, valores e responsáveis. O terceiro é acesso rápido, que é a capacidade de localizar qualquer documento em minutos, não em dias.

Empresas que operam com 25 prestadores ou mais sem software de gestão de PJ dedicado estão jogando roleta russa. Não é questão de se vai dar problema, mas de quando. O primeiro passo é reconhecer essa vulnerabilidade.

Os 10 Riscos Trabalhistas que Toda Empresa com PJ Precisa Conhecer

A CLT define no artigo 3º que existe vínculo empregatício quando há pessoalidade, não eventualidade, subordinação, onerosidade e alteridade. Na prática, a Justiça do Trabalho olha para o dia a dia da relação. Se o PJ trabalha como se fosse CLT, é CLT. O compliance trabalhista existe para prevenir riscos e mitigar exatamente esses problemas.

As multas administrativas do Ministério do Trabalho foram atualizadas pela Portaria MTE 66/24. Empregado não registrado gera multa de R$ 3.058,28 por trabalhador para empresas de médio e grande porte. Para micro e pequenas empresas, o valor é R$ 827,13 por trabalhador. Descumprimento de obrigações do eSocial parte de R$ 440,07 por trabalhador prejudicado, podendo chegar a R$ 44.007,30. Em caso de reincidência, as sanções dobram. Por isso práticas de compliance são essenciais.

RiscoO Que CaracterizaPenalidade Potencial
1. Controle de jornadaRegistro de ponto, exigência de horário fixoReconhecimento de vínculo + verbas retroativas
2. Subordinação diretaOrdens diretas, poder disciplinar sobre o PJReconhecimento de vínculo + verbas retroativas
3. Pessoalidade excessivaContrato exige pessoa física específicaReconhecimento de vínculo + verbas retroativas
4. Habitualidade sem variaçãoMesmo projeto, escopo e rotina por anosReconhecimento de vínculo + verbas retroativas
5. ExclusividadeProibição de atender outros clientesReconhecimento de vínculo + verbas retroativas
6. Integração ao organogramaPJ com cargo definido, em reuniões de equipeReconhecimento de vínculo + verbas retroativas
7. Fornecimento de ferramentasComputador, crachá, e-mail corporativoReconhecimento de vínculo + verbas retroativas
8. Pagamento fixo mensalValor idêntico independente de entregasReconhecimento de vínculo + verbas retroativas
9. Benefícios informaisPlano de saúde, 13º “por fora”, férias juntoReconhecimento de vínculo + verbas retroativas
10. Contrato genéricoSem escopo, entregas ou prazos definidosReconhecimento de vínculo + verbas retroativas

Risco 1: Controle de jornada

Registrar horário de entrada e saída de PJ é criar prova contra si mesmo. O prestador define quando trabalha. Se você exige das 9h às 18h, está caracterizando subordinação. A Justiça do Trabalho interpreta controle de horário como elemento clássico da relação de emprego. Sistemas de ponto, planilhas de horas ou qualquer registro de jornada são evidências que podem ser usadas contra a empresa em processos de riscos legais na contratação PJ.

Risco 2: Subordinação direta

O PJ recebe demandas, não ordens. Existe diferença entre “precisamos da entrega até sexta” e “faça isso agora e me mande relatório de progresso às 17h”. O segundo é CLT. A subordinação jurídica, conforme jurisprudência consolidada, se manifesta nos poderes diretivo, fiscalizador e disciplinar. Quando o tomador tem poder de punir o prestador por descumprimento de ordens, está configurada a subordinação. O departamento jurídico deve orientar gestores sobre essa distinção.

Risco 3: Pessoalidade excessiva

Quando o contrato exige que apenas aquela pessoa física execute o serviço, sem possibilidade de substituição, você tem pessoalidade. PJ é empresa. A empresa pode designar quem executa. Se o contrato menciona nome de pessoa física como único executor permitido, está criando vínculo pessoal incompatível com prestação de serviços empresarial.

Risco 4: Habitualidade sem variação

Três anos no mesmo projeto, mesmo escopo, mesma rotina. Isso não é prestação de serviços. É emprego sem carteira. A não eventualidade da CLT não exige trabalho diário. Duas vezes por semana com regularidade já caracteriza habitualidade, conforme entendimento do TST. O que importa é a expectativa de continuidade da relação.

Risco 5: Exclusividade

Proibir o PJ de atender outros clientes transforma a relação em dependência econômica. CLT clássica. Cláusulas de exclusividade em contratos PJ são bombas-relógio. Mesmo sem cláusula formal, se na prática o prestador não tem tempo ou possibilidade de atender outros clientes, a exclusividade está configurada. Isso pode gerar sanção trabalhista severa.

Risco 6: Integração ao organograma

PJ no organograma da empresa, com cargo definido, participando de reuniões de equipe como se fosse funcionário. Evidência clara de vínculo. O prestador de serviços atua de fora para dentro. Quando está integrado à estrutura organizacional, com reporte hierárquico e participação em processos internos, perde a característica de terceiro.

Risco 7: Fornecimento de ferramentas

Computador da empresa, acesso ao escritório, crachá, e-mail corporativo. Tudo isso são indícios de que o PJ está integrado à estrutura. A alteridade, requisito que determina que o empregador assume os riscos do negócio, inclui fornecer os meios de produção. Quando a empresa fornece, está sinalizando que considera o prestador parte de sua estrutura.

Risco 8: Pagamento fixo mensal

Valor idêntico todo mês, independente de entregas, é salário. PJ deve receber por projeto, por entrega ou por hora trabalhada com variação real. Se o prestador sabe exatamente quanto vai receber todo dia 5, independente do que entregou, está recebendo salário, não remuneração por serviços. O holerite PJ deve refletir entregas, não presença.

Risco 9: Benefícios informais

Incluir o PJ no plano de saúde da empresa, pagar décimo terceiro “por fora”, conceder férias junto com a equipe. Tratamento de empregado gera reconhecimento de vínculo. Cada benefício concedido é evidência que será usada em eventual reclamação trabalhista. Conheça os direitos e benefícios PJ para não confundir com direitos CLT.

Risco 10: Ausência de contrato ou contrato genérico

Contrato de uma página que diz “prestação de serviços” sem especificar escopo, entregas, prazos e condições é convite para problemas. Na ausência de contrato sólido, prevalece a interpretação mais favorável ao trabalhador, conforme princípio normativo da norma mais benéfica. O setor jurídico deve revisar cada minuta.

O TRT-15, maior tribunal regional do trabalho do país, pagou R$ 6,5 bilhões a reclamantes em 2024. Recorde histórico. A maior parte desse valor vem de empresas que não adotaram práticas de compliance adequadas.

Arquivo aberto com divisórias e folhas com datas visíveis

Evidências Anti-Vínculo: O Que Guardar e Por Quanto Tempo

A melhor defesa em uma reclamação trabalhista é documentação. Não basta alegar que o PJ tinha autonomia. Você precisa provar. O papel do compliance é justamente garantir que essas evidências existam e estejam acessíveis. Compliance é responsável por estruturar essa coleta.

Existem sete categorias de evidências que toda área de compliance deve manter para cada prestador e parceiros de negócios.

Categoria 1: Documentos contratuais

Contrato de prestação de serviços completo, com escopo detalhado, forma de remuneração, prazo e condições de rescisão PJ. Aditivos datados e assinados para qualquer alteração. Termo de aceite de cada entrega.

Categoria 2: Documentos fiscais

Notas fiscais de serviço emitidas pelo prestador para cada pagamento. O CNPJ deve estar ativo e a atividade empresarial compatível com o serviço prestado. Empresas precisam implementar conferência automática de notas fiscais para manter a conformidade.

Categoria 3: Comprovantes financeiros

Comprovante de pagamento vinculado à nota fiscal. Transferência bancária, não dinheiro. Rastreabilidade completa para evitar qualquer suspeita de lavagem de dinheiro ou irregularidade. A integração de pagamentos PJ facilita esse processo.

Categoria 4: Registros de entrega

E-mails, tickets, commits, relatórios, atas de reunião. Qualquer registro que comprove entregas concretas, não apenas presença.

Categoria 5: Evidências de autonomia

Registros de que o PJ definiu seus próprios horários. Comunicações mostrando negociação de prazos. Evidências de atendimento a outros clientes. Esses controles podem ser adotados como padrão.

Categoria 6: Documentação do prestador

Contrato social ou certificado MEI. Comprovante de inscrição municipal. Certidões negativas quando exigidas. Realizar consulta de regularidade PJ periodicamente é medida de compliance essencial. A due diligence deve ser rotina.

Categoria 7: Histórico de alterações

Registro de quem solicitou, aprovou e executou qualquer mudança no contrato. Trilha completa para monitoramento contínuo.

Tipo de DocumentoPrazo de GuardaBase Legal
Contrato de prestação de serviços5 anos após términoArt. 7º, XXIX, CF
Notas fiscais de serviço5 anosCTN, Art. 173
Comprovantes de pagamento5 anos após términoArt. 7º, XXIX, CF
Documentos relacionados a FGTS30 anosLei 8.036/90
Aditivos contratuais5 anos após términoArt. 7º, XXIX, CF
Certidões e regularidades5 anos após términoArt. 7º, XXIX, CF
Registros de entrega5 anos após términoArt. 7º, XXIX, CF
Comunicações com prestador5 anos após términoArt. 7º, XXIX, CF

O prazo de guarda para documentação trabalhista é de cinco anos, limitado a dois anos após o término do contrato, conforme artigo 7º, inciso XXIX, da Constituição Federal. Para FGTS, o prazo é de 30 anos. Na prática, guarde tudo por pelo menos cinco anos após o fim da relação.

Trilha de Auditoria Completa: Como Construir um Registro à Prova de Questionamentos

Trilha de auditoria é o registro sequencial de todas as ações realizadas em um processo, com data, hora, responsável e conteúdo. Em gestão de PJ, significa saber exatamente quem fez o quê, quando e por quê. Compliance pode ser definido pela capacidade de demonstrar essa trilha.

Uma trilha de auditoria eficaz tem quatro características. Completude é a primeira: registra todas as ações relevantes, não apenas algumas. Imutabilidade é a segunda: registros não podem ser alterados ou apagados retroativamente. Rastreabilidade é a terceira: cada ação conecta-se às anteriores e posteriores. Acessibilidade é a quarta: informação disponível para quem precisa, quando precisa. A adoção dessas práticas é fundamental.

Na prática, sua trilha deve registrar, no mínimo: criação e alteração de cadastro do prestador, upload e versionamento de contratos, recebimento e validação de notas fiscais, aprovação e execução de pagamentos, e registro de entregas e aceites.

Planilha de Excel não é trilha de auditoria. Qualquer pessoa pode alterar uma célula e ninguém saberá. Mesmo planilhas com proteção podem ser burladas. E-mail também não serve como trilha principal porque depende de buscas manuais e não garante integridade.

Sistemas dedicados criam logs automáticos. Cada ação gera registro com timestamp, usuário e conteúdo. Não tem como apagar. Auditores adoram. Juízes também. Esse tipo de compliance pode ser implementado com software de gestão de PJ.

O Ministério do Trabalho intensificou fiscalizações em 2024 e 2025 para verificar cumprimento da Lei de Igualdade Salarial e outras leis e normas trabalhistas. A tendência é de aumento contínuo, segundo reportagens do portal Migalhas e Conjur. Empresa sem trilha é empresa vulnerável.

Documentação Obrigatória Por Prestador: Checklist Completo

Antes de um PJ emitir a primeira nota fiscal, você deve ter em mãos a seguinte documentação. O departamento pessoal é responsável por garantir essa conformidade em toda atividade empresarial relacionada.

Fase de onboarding:

Proposta comercial aceita pelo prestador. Contrato de prestação de serviços assinado por ambas as partes. Comprovante de CNPJ ativo. Contrato social ou certificado MEI. Comprovante de inscrição municipal. Dados bancários para pagamento. Aceite de políticas e procedimentos da empresa aplicáveis a terceiros. Código de conduta assinado, quando aplicável. A empresa deve exigir todos esses itens.

Fase de execução mensal:

Nota fiscal de serviço válida e verificada. Comprovante de pagamento vinculado à NF. Registro de entregas do período. Validação de que a NF confere com contrato. O monitoramento mensal é essencial.

Fase de encerramento:

Distrato ou termo de encerramento conforme rescisão PJ. Comprovante de quitação final. Termo de confidencialidade reforçado, se aplicável. Devolução de acessos e equipamentos, se houver.

A ausência de qualquer desses documentos é gap de compliance. Um gap pode custar caro. O valor médio de condenação por reconhecimento de vínculo inclui: diferenças salariais de todo o período, férias com terço constitucional, décimo terceiro, FGTS com multa de 40%, INSS patronal retroativo, e danos morais em muitos casos.

Para um PJ que recebe R$ 15 mil mensais há três anos, estimamos que a conta pode passar de R$ 300 mil considerando todas as verbas retroativas. Multiplique pelo número de prestadores sem documentação adequada. Compliance não é custo. É proteção contra sanções severas.

Segregação de Funções: Quem Faz o Quê na Gestão de PJ

Segregação de funções é o princípio de que nenhuma pessoa deve ter controle total sobre um processo. Em gestão de PJ, isso significa separar quem contrata, quem aprova pagamentos e quem executa. É um dos pilares do compliance e da governança corporativa. Compliance está diretamente ligado a essa separação de responsabilidades.

O modelo recomendado para empresas com 25 ou mais prestadores envolve quatro funções distintas.

Gestor do contrato: responsável pelo relacionamento com o prestador, validação de entregas e solicitação de pagamentos. Não pode aprovar pagamentos. O gestor deve conhecer os valores da empresa.

Aprovador financeiro: responsável por conferir notas fiscais, validar valores contra contrato e autorizar pagamentos. Não pode executar transferências.

Executor de pagamentos: responsável por realizar as transferências bancárias conforme aprovações. Não pode aprovar o que ele mesmo executa. A folha de pagamento PJ deve seguir esse fluxo.

Profissional de compliance ou auditor interno: responsável por revisar periodicamente se os controles estão funcionando. Pode atuar também como canal para denúncias internas. Não pode ter função operacional na gestão de PJ.

Em empresas menores, algumas funções podem ser combinadas, mas nunca as três primeiras em uma só pessoa. Quem solicita não aprova. Quem aprova não executa. A conduta de cada colaborador deve seguir essas regras.

A segregação cria pontos de controle. Se o gestor aprovar pagamento para NF com valor errado, o aprovador financeiro pega. Se o aprovador deixar passar, a auditoria interna identifica. Erros acontecem. Fraudes também. Segregação reduz ambos. Conheça mais sobre como evitar fraudes com PJ no RH.

Matriz de Riscos: Identificar, Classificar e Mitigar

Uma matriz de riscos e compliance mapeia os principais problemas que podem ocorrer, sua probabilidade e impacto, e define ações para cada cenário. É ferramenta essencial para o setor de compliance. A primeira etapa é identificar onde estão as vulnerabilidades.

Para gestão de PJ, os riscos se dividem em quatro categorias: trabalhistas, fiscais, operacionais e reputacionais. A área de compliance deve atuar em todas.

Riscos trabalhistas:

Reconhecimento de vínculo tem probabilidade alta em contratos mal estruturados e impacto severo (passivo de anos). Mitigação adotada: contrato detalhado, evidências de autonomia, revisão periódica. Compliance trabalhista é a primeira linha de defesa.

Ação civil pública tem probabilidade média e impacto severo (pode afetar todos os PJs). Mitigação: programa de compliance sólido, auditoria preventiva, due diligence contínua.

Riscos fiscais:

NF com dados incorretos tem probabilidade alta e impacto moderado (retrabalho, multa). Mitigação: validação automática antes do pagamento. Compliance fiscal e compliance tributário devem atuar juntos para estar em conformidade.

CNPJ inativo ou irregular tem probabilidade média e impacto alto (pagamento não dedutível, exposição fiscal). Mitigação: consulta automática de regularidade na Receita.

Riscos operacionais:

Perda de documentação tem probabilidade média se usa planilhas e impacto alto em auditoria. Mitigação: sistema de gestão de documentos PJ com backup automático.

Pagamento duplicado tem probabilidade baixa com controles e impacto moderado. Mitigação: conciliação mensal, segregação de funções, monitoramento contínuo.

Riscos reputacionais:

Escândalo trabalhista público tem probabilidade baixa, mas impacto pode ser devastador, inclusive criminal em casos extremos. Mitigação: cultura organizacional de compliance, canais de denúncia ativos, resposta rápida a problemas.

Cada risco deve ter um responsável, prazo de revisão e indicador de monitoramento. Matriz parada em gaveta não protege ninguém. Medidas de compliance precisam ser vivas. A prática de atos preventivos é fundamental.

Por Que Defendo Compliance Rigoroso com PJ

Vou ser direto: compliance não é burocracia. É o que separa empresas que dormem tranquilas das que vivem apagando incêndio.

Já vi de perto o estrago que a falta de processo causa. Empresa com 50 prestadores PJ, sem um contrato padronizado, com pagamentos feitos por transferência manual e notas fiscais jogadas em pastas aleatórias do Google Drive. Quando veio a primeira reclamação trabalhista, ninguém encontrava nada. O advogado pediu evidências de autonomia do prestador. Não existiam. Resultado: acordo de R$ 180 mil para um único caso.

O regime PJ é, na minha visão, o melhor modelo de contratação que existe no Brasil. Mais dinheiro no bolso do profissional, mais flexibilidade para a empresa, menos encargos para todo mundo. Mas só funciona se for feito direito. PJ mal estruturado vira CLT disfarçada, e aí o barato sai caro.

Compliance trabalhista é o que permite que o modelo PJ prospere. Sem ele, você não tem defesa. Com ele, você tem trilha, evidência, processo. Quando o auditor chega, você entrega o que ele pede em cinco minutos. Quando o advogado da outra parte pede documentos, você tem tudo organizado.

Não é paranoia. É pragmatismo. A CLT protege o empregado com presunção de vínculo. Se você não prova que é PJ de verdade, a Justiça presume que é emprego. O ônus da prova é seu. Compliance é construir essa prova antes de precisar dela.

Empresas que levam isso a sério escalam com segurança. As que ignoram ficam reféns de cada prestador que resolve entrar na Justiça. Não existe meio-termo.

Como Passar em Auditoria em 24 Horas: Preparação e Execução

Auditoria trabalhista ou fiscal pode ser anunciada com dias de antecedência ou aparecer sem aviso. Sua preparação deve considerar o pior cenário. Estar em compliance significa estar pronto sempre. Compliance tem ganhado importância justamente por esse motivo.

Antes da auditoria chegar:

Mantenha pasta digital atualizada para cada prestador ativo e inativo dos últimos cinco anos. Crie índice que permita localizar qualquer documento em menos de cinco minutos. Designe responsável por atender auditores com autonomia para acessar todas as informações. Faça simulação de auditoria pelo menos uma vez por ano. A gestão de PJ eficiente garante essa prontidão.

Quando a auditoria chegar:

Solicite por escrito o escopo e os documentos requeridos. Não entregue nada que não foi pedido. Cada documento entregue, registre em protocolo com data e assinatura. Se precisar de prazo para localizar algo, solicite formalmente. O setor jurídico deve ser acionado imediatamente.

O que auditores tipicamente pedem:

Relação completa de prestadores PJ do período. Contratos e aditivos de amostra selecionada. Notas fiscais e comprovantes de pagamento correspondentes. Evidências de entregas realizadas. Registros de aprovações e alçadas. Proteção de dados pessoais dos prestadores também pode ser verificada.

Sinais de alerta para auditores:

Contratos genéricos ou padronizados sem especificidade. Ausência de aditivos para mudanças significativas. Notas fiscais com descrição vaga como “serviços prestados”. Valores idênticos todos os meses. Ausência de registro de entregas. Qualquer conduta que sugira subordinação.

O ministro Gilmar Mendes, do STF, suspendeu em abril de 2025 todos os processos sobre pejotização no país enquanto a Corte define regras para o Tema 1389. A decisão paralisou quase 50 mil ações. Mas não eliminou o risco. Quando o julgamento vier, empresas sem compliance sofrerão primeiro.

Checklist Audit-Ready: 100 Itens para Verificar Antes de Qualquer Auditoria

Este checklist cobre todas as áreas críticas de compliance PJ. Use-o como ferramenta de diagnóstico e preparação. É um programa de compliance em formato prático. Empresas que adotam esse tipo de controle passam em auditorias com tranquilidade.

DOCUMENTAÇÃO CONTRATUAL (itens 1-20)

  1. Contrato de prestação de serviços assinado por ambas as partes
  2. Contrato com data de início e término definidos
  3. Escopo de trabalho detalhado no contrato
  4. Forma de remuneração especificada (projeto, hora, entrega)
  5. Condições de reajuste documentadas conforme reajuste anual em contrato PJ
  6. Cláusula de rescisão com prazos e condições
  7. Cláusula de confidencialidade incluída
  8. Aditivos para todas as alterações contratuais
  9. Aditivos datados e assinados
  10. Histórico de versões do contrato mantido
  11. Contrato arquivado em local acessível
  12. Cópia do contrato entregue ao prestador
  13. Termo de aceite para cada entrega relevante
  14. Proposta comercial original arquivada
  15. E-mails de negociação preservados
  16. Registro de quem aprovou a contratação
  17. Justificativa documentada para escolha do prestador
  18. Comparativo de propostas, se aplicável
  19. Análise de conflito de interesses realizada
  20. Termo de ciência de políticas de compliance da empresa

DOCUMENTAÇÃO DO PRESTADOR (itens 21-35)

  1. Comprovante de CNPJ ativo
  2. CNPJ consultado nos últimos 30 dias
  3. Contrato social ou certificado MEI arquivado
  4. Atividade econômica compatível com serviço
  5. Inscrição municipal ativa
  6. Dados bancários registrados e validados
  7. Certidão negativa de débitos trabalhistas
  8. Certidão de regularidade FGTS, se exigida
  9. Comprovante de endereço comercial
  10. Documentos de sócios identificados
  11. Procuração, se assinante não é sócio
  12. Verificação de capacidade técnica realizada
  13. Referências consultadas, se aplicável
  14. Cadastro completo no sistema da empresa
  15. Aceite de termos de uso de sistemas

NOTAS FISCAIS (itens 36-55)

  1. NF emitida para cada pagamento
  2. NF com dados do tomador corretos
  3. CNPJ na NF confere com cadastro
  4. Valor da NF confere com contrato
  5. Descrição do serviço adequada
  6. NF verificada junto à prefeitura
  7. NF arquivada em formato digital
  8. NF vinculada ao comprovante de pagamento
  9. Impostos retidos corretamente
  10. ISS recolhido conforme legislação trabalhista e fiscal
  11. NF emitida dentro do mês de competência
  12. Série e número da NF registrados
  13. Cancelamentos de NF documentados
  14. NFs substitutivas vinculadas às originais
  15. Relatório mensal de NFs recebidas
  16. Divergências de NF tratadas e documentadas
  17. Prazo entre NF e pagamento dentro do limite
  18. NF aprovada antes do pagamento
  19. Registro de quem validou a NF
  20. NF acessível para consulta em menos de 5 minutos

PAGAMENTOS (itens 56-70)

  1. Comprovante bancário de cada pagamento
  2. Pagamento realizado para conta cadastrada
  3. Valor pago confere com NF
  4. Pagamento aprovado por alçada correta
  5. Segregação entre aprovador e executor
  6. Conciliação mensal de pagamentos realizada
  7. Pagamentos em dia conforme contrato
  8. Histórico de pagamentos acessível
  9. Relatório de pagamentos por período disponível
  10. Retenções tributárias comprovadas
  11. Guias de recolhimento arquivadas
  12. Pagamentos duplicados verificados
  13. Estornos documentados e justificados
  14. Antecipações autorizadas formalmente
  15. Relatório de contas a pagar atualizado

EVIDÊNCIAS DE AUTONOMIA (itens 71-85)

  1. Prestador define próprios horários (comprovável)
  2. Ausência de controle de ponto
  3. Prestador não consta em organograma
  4. Prestador não participa de reuniões de equipe regulares
  5. Comunicações mostram negociação, não ordens
  6. Entregas por resultado, não por presença
  7. Prestador atende outros clientes (verificável)
  8. Ausência de exclusividade contratual
  9. Prestador usa próprios equipamentos
  10. Não há e-mail corporativo fornecido
  11. Não há crachá ou acesso permanente
  12. Não há benefícios de empregado concedidos
  13. Férias não coincidem com equipe CLT
  14. Remuneração varia conforme entregas
  15. Registro de substituições aceitas, se houver

TRILHA DE AUDITORIA (itens 86-95)

  1. Sistema registra data e hora de cada ação
  2. Sistema registra usuário responsável
  3. Registros não podem ser alterados retroativamente
  4. Histórico de alterações de cadastro mantido
  5. Histórico de versões de documentos disponível
  6. Log de aprovações acessível
  7. Backup de dados realizado regularmente
  8. Acesso ao sistema controlado por perfis
  9. Tentativas de acesso indevido registradas
  10. Relatório de trilha exportável para auditores

GOVERNANÇA E PROCESSOS (itens 96-100)

  1. Política de compliance para terceiros documentada
  2. Gestores treinados em compliance PJ
  3. Auditoria interna periódica realizada
  4. Indicadores de compliance monitorados conforme indicadores RH para gestão PJ
  5. Plano de ação para gaps identificado

Cada item marcado positivamente é ponto a favor em auditoria. Cada item negativo é vulnerabilidade. O objetivo é chegar a 100% antes que o auditor chegue à sua porta. Sobre compliance, a preparação contínua faz toda diferença.

Política de Compliance para Terceiros: Modelo Aplicável

Toda empresa que contrata PJ deve ter política interna escrita e comunicada. O documento não precisa ser longo, mas precisa ser claro. É um programa de integridade aplicado a fornecedores e prestadores. A implementação de políticas deve ser prioridade.

Estrutura recomendada:

Seção 1 — Objetivo e escopo: define que a política aplica-se a todas as contratações de prestadores de serviço pessoa jurídica. Deixa claro o que é compliance neste contexto e quais condutas são esperadas.

Seção 2 — Definições: esclarece o que é PJ, o que é prestação de serviços, o que caracteriza subordinação para fins da política. Compare com PJ x CLT para clareza.

Seção 3 — Requisitos para contratação: lista documentos obrigatórios, verificações necessárias e critérios de aprovação. Inclui compliance com lei anticorrupção e proteção de dados.

Seção 4 — Condução do contrato: estabelece regras para comunicação, entregas, alterações contratuais e pagamentos. Define como atuar em cada etapa.

Seção 5 — Vedações expressas: lista práticas proibidas como controle de jornada, inclusão em organograma, fornecimento de benefícios de empregado, atos de corrupção. Compliance não é apenas fazer, é também não fazer.

Seção 6 — Responsabilidades: define quem faz o quê no ciclo de vida do contrato. Cada gestor deve conhecer seu papel.

Seção 7 — Monitoramento e auditoria: estabelece frequência de revisões e consequências para descumprimento. Define canais de denúncia disponíveis.

Seção 8 — Treinamento: obriga capacitação de gestores que lidam com PJ.

A política deve ser aprovada por diretoria, comunicada a todos os gestores, e ter evidência de ciência. Política que ninguém conhece não protege. Código de conduta e políticas e procedimentos devem estar alinhados com os valores da empresa.

Governança: Alçadas, Controles e Responsabilidades

Governança em gestão de PJ significa definir quem pode tomar quais decisões e quais controles existem em cada etapa. Compliance empresarial depende de governança bem estruturada. A empresa pode escalar com segurança quando tem processos claros.

Alçadas de contratação:

Contratos até R$ 10 mil mensais: aprovação do gestor da área. Contratos de R$ 10 mil a R$ 50 mil mensais: aprovação do gestor mais diretoria da área. Contratos acima de R$ 50 mil mensais: aprovação de diretoria executiva.

Os valores são exemplos. Cada empresa define conforme sua realidade. O importante é ter limites claros e documentados.

Controles mínimos por etapa:

Cadastro do prestador: validação de CNPJ, conferência de documentação, aprovação formal. Execução do contrato: registro de entregas, validação de notas fiscais, conferência de valores. Pagamento: dupla aprovação para valores acima de limite definido, conciliação com contrato. Encerramento: checklist de desligamento, quitação documentada.

Indicadores de monitoramento:

Percentual de contratos com documentação completa. Tempo médio entre recebimento da NF e pagamento. Número de inconsistências identificadas por mês. Percentual de contratos revisados no ano.

Governança sem medição é teatro. Se você não sabe quantos contratos estão com documentação incompleta, você não tem controle. O sigilo da folha PJ também deve fazer parte da governança. A metodologia pode ser utilizada em qualquer porte de empresa.

Sistema de Compliance: Por Que Automatizar a Gestão de PJ

Planilhas funcionam para cinco prestadores. Para 25, já é arriscado. Para 50 ou mais, é inviável manter conformidade. Compliance pode ser muito mais eficiente com tecnologia.

Um sistema de gestão de PJ automatiza o que planilhas não conseguem fazer.

Validação automática de notas fiscais: o sistema consulta a prefeitura, verifica se a NF é válida, se os dados batem com o cadastro, se o valor confere com o contrato. Erro humano eliminado.

Trilha de auditoria nativa: cada ação gera log automático com timestamp e usuário. Impossível apagar. Auditores acessam direto.

Alertas de vencimento: contrato vencendo, certidão expirada, CNPJ com problema. O sistema avisa antes de virar problema.

Workflow de aprovação: solicitação vai para aprovador certo automaticamente. Ninguém pula etapa. Segregação garantida.

Repositório centralizado: todos os documentos em um lugar, com busca, versionamento e backup. Acabou a caça ao PDF.

Relatórios de compliance: visão consolidada de gaps, pendências e indicadores. Gestão por exceção.

O tempo que sua equipe gasta caçando documentos, conferindo NFs manualmente e correndo atrás de assinaturas é custo invisível. Sistema transforma esse tempo em produtividade real. Compare as opções no comparativo de plataformas de gestão PJ no Brasil.

A Managefy foi construída para resolver exatamente isso. Cadastro centralizado, validação automática de NFs, trilha de auditoria completa, workflow de aprovação e relatórios prontos para auditoria. Para quem gerencia 25 prestadores ou mais, não faz sentido operar de outro jeito.

Com a reforma tributária e a nova lei trabalhista PJ no horizonte, compliance vai ficar ainda mais crítico. Empresas que investem agora saem na frente.

FAQ

1. O que é compliance PJ?

Compliance PJ é o conjunto de práticas, documentos e controles que garantem que a contratação de prestadores de serviço pessoa jurídica segue a legislação trabalhista e fiscal, sem caracterizar fraude ou vínculo empregatício disfarçado. É compliance em sua essência: estar em conformidade com as regras.

2. Quais documentos são obrigatórios para contratar PJ?

Os documentos essenciais incluem contrato de prestação de serviços detalhado, comprovante de CNPJ ativo, contrato social ou certificado MEI, inscrição municipal e dados bancários. Durante a execução, são necessárias notas fiscais válidas, comprovantes de pagamento e registros de entrega.

3. Quanto tempo devo guardar documentos de PJ?

O prazo seguro é de cinco anos após o término do contrato, seguindo a prescrição trabalhista. Para documentos relacionados a FGTS, o prazo pode chegar a 30 anos. Na prática, guarde pelo menos cinco anos após o fim da relação para garantir conformidade.

4. O que caracteriza pejotização ilegal?

Pejotização ilegal ocorre quando o PJ trabalha com subordinação, pessoalidade, habitualidade e onerosidade típicas de emprego CLT. Controle de horário, exclusividade, integração ao organograma e pagamento fixo mensal são indícios fortes. Compliance trabalhista é essencial para evitar essa caracterização.

5. Como preparar minha empresa para auditoria trabalhista?

Mantenha documentação completa e organizada para cada prestador, crie processo de localização rápida de documentos, designe responsável para atender auditores e faça simulações periódicas. Sistema de gestão de PJ facilita significativamente.

6. Qual o valor médio de condenação por vínculo PJ?

Depende do tempo de contrato e valores envolvidos, mas inclui diferenças salariais, férias, décimo terceiro, FGTS com multa de 40% e INSS retroativo. Para contratos de três anos com remuneração de R$ 15 mil mensais, estimamos que pode ultrapassar R$ 300 mil considerando todas as verbas.

7. O que é trilha de auditoria em gestão de PJ?

Trilha de auditoria é o registro sequencial e imutável de todas as ações realizadas no processo, com data, hora e responsável. Permite reconstruir a história de qualquer contrato. É um dos pilares do compliance em qualquer atividade empresarial.

8. Posso usar planilha para gestão de PJ?

Para poucos prestadores funciona, mas não oferece trilha de auditoria confiável nem validação automática. Para 25 prestadores ou mais, sistema dedicado é recomendado para estar em compliance.

Conclusão

Compliance não é burocracia. É proteção. O número de processos trabalhistas sobre pejotização cresce ano a ano, e a conta para empresas sem preparo é alta.

A boa notícia é que programa de compliance bem implementado não é complicado. Exige processo claro, documentação organizada e ferramenta adequada. Empresas que investem nisso dormem tranquilas quando auditoria aparece.

Se você gerencia 25 prestadores ou mais e ainda depende de planilhas e pastas de e-mail, está na hora de evoluir. A Managefy oferece demonstração gratuita para mostrar como funciona gestão de PJ com compliance de verdade.

Assista uma demonstração e veja como sua operação pode ser diferente.

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