PJ x CLT: 7 Diferenças no Custo Para Sua Empresa

PJ x CLT

O custo de um empregado CLT pode chegar a 80% além do salário bruto. Esse número não é exagero. É matemática. A diferença entre PJ x CLT começa nos encargos trabalhistas e termina no impacto direto que cada modelo tem no fluxo de caixa da sua empresa.

Em abril de 2025, o STF suspendeu mais de 285 mil processos relacionados à contratação PJ. O Tema 1389 vai definir, pela primeira vez de forma vinculante, as regras do jogo para quem decide entre CLT ou PJ. Enquanto a decisão não sai, empresas precisam entender com clareza quando cada modelo faz sentido e, principalmente, quanto custa cada escolha para o contratante.

Neste artigo, você vai encontrar um comparativo completo de custos CLT x PJ, uma calculadora salário para simular cenários reais e os critérios objetivos para tomar essa decisão.

Uma pessoa segura um contrato com

PJ x CLT: Entenda as Diferenças Fundamentais

PJ é uma relação comercial entre duas empresas. CLT é uma relação trabalhista entre empregador e empregado. Essa distinção muda tudo: impostos incidentes, obrigações fiscais, flexibilidade e custos da contratação.

No regime CLT, a empresa contrata uma pessoa física. Assina a carteira assinada. Assume encargos trabalhistas e previdenciários. Oferece benefícios obrigatórios. Segue uma jornada de trabalho fixa conforme a legislação trabalhista.

No modelo PJ, a empresa contrata outra empresa com CNPJ ativo. Não existe vínculo empregatício. O prestador emite nota fiscal a cada serviço. A relação CLT envolve encargos que simplesmente não existem na modalidade PJ. A relação comercial é regida pelo Código Civil, não pela CLT.

Segundo a PNAD Contínua do IBGE, o Brasil tem 25,5 milhões de trabalhadores por conta própria. Desses, 6,6 milhões possuem CNPJ formalizado, um crescimento de 77,4% desde 2012. O movimento não é acidente. É resposta do mercado a um modelo trabalhista que onera demais quem contrata.

A natureza jurídica de cada modelo define as obrigações. No CLT, a empresa responde por férias, 13º salário, FGTS, INSS patronal, aviso prévio, multa rescisória e décimo terceiro salário. No PJ, a empresa paga o valor acordado em contrato PJ. O profissional PJ cuida da própria previdência, férias e reservas.

Essa diferença de estrutura legal é o que permite a economia de custos. Mas também é o que exige processo, documentação e compliance para evitar riscos.

Comparativo de Custos: PJ x CLT Para Empresas

A conta do modelo CLT não fecha apenas com o salário. Para cada R$10.000 pagos a um profissional CLT, a empresa desembolsa entre R$16.500 e R$18.000 quando somados todos os encargos e impostos e descontos obrigatórios.

Os principais encargos da contratação CLT incluem INSS patronal de 20% sobre a folha, FGTS de 8%, contribuições ao Sistema S que podem chegar a 5,8%, provisão de férias com adicional de um terço representando 11,11% mensais, provisão de 13º salário em 8,33% mensais e a multa rescisória de 40% sobre o FGTS em caso de demissão sem justa causa.

Para empresas do Simples Nacional, os encargos totais ficam em torno de 32% a 39% do salário nominal. Já para empresas no Lucro Real ou Lucro Presumido, esse percentual pode chegar a 65% ou mais, dependendo da alíquota aplicada e do setor de atuação.

Na contratação PJ, a empresa paga o valor do contrato mais o ISS que varia de 2% a 5% dependendo do município. Não existe INSS patronal sobre a folha. Não existe FGTS. Não existe provisão obrigatória de férias ou 13º. A contratação PJ é significativamente mais leve em termos de encargos.

A tabela abaixo compara o custo real para a empresa em três faixas de remuneração, permitindo comparar impostos e entender a diferença real entre os modelos:

Remuneração BaseCusto Total CLTCusto Total PJEconomia
R$ 10.000R$ 16.500 – R$ 18.000R$ 10.50037% a 42%
R$ 15.000R$ 24.750 – R$ 27.000R$ 15.75037% a 42%
R$ 20.000R$ 33.000 – R$ 36.000R$ 21.00037% a 42%

A economia média fica entre 25% e 40% dependendo do regime tributário da empresa contratante e da negociação com o prestador PJ.

Um ponto que muita gente ignora: o profissional que decide trabalhar como PJ também ganha mais líquido. Um CLT com salário bruto de R$15.000 leva para casa aproximadamente R$11.500 após descontos obrigatórios de INSS e IRPF. O mesmo valor pago a um contratado como PJ pode render R$13.000 ou mais de salário líquido, dependendo do regime tributário escolhido na abertura de empresa.

Para entender como funciona a gestão financeira dos prestadores, confira nosso guia completo sobre folha de pagamento PJ.

Calculadora CLT x PJ: Simule Agora

A calculadora CLT x PJ compara o custo real de cada modelo para a sua empresa. Os inputs necessários são o salário bruto desejado, o regime tributário da sua empresa, os benefícios oferecidos como plano de saúde e vale-refeição, e a estimativa de rotatividade.

Os outputs mostram o custo total mensal para o empregador, o valor líquido para o profissional e a economia percentual. Você consegue compare salários entre os dois modelos e tomar uma decisão baseada em dados, não em achismo.

A Managefy oferece uma calculadora interativa que considera variáveis como regime tributário, benefícios e custos indiretos. Você pode acessar a simulação completa e ver cenários customizados para a realidade da sua operação.

O cálculo do salário simplificado segue esta lógica. Para CLT, some o salário CLT bruto mais 20% de INSS patronal mais 8% de FGTS mais 11,11% de provisão de férias mais 8,33% de provisão de 13º mais 4% de provisão de multa rescisória mais benefícios como plano de saúde. Para PJ, some o valor do contrato mais ISS de 2% a 5%.

Um exemplo prático: profissional de tecnologia com pretensão salarial de R$12.000. No contrato CLT, o custo total para a empresa fica em torno de R$19.800. No regime PJ, com o mesmo valor bruto, o custo fica em R$12.600. A diferença de R$7.200 por mês representa R$86.400 por ano. Por profissional.

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Vantagens e Desvantagens de Cada Modelo

PJ custa entre 25% e 40% menos que CLT. Mas exige gestão de contratos e compliance. CLT oferece mais controle sobre a jornada, mas custa até 80% além do salário. A escolha entre ser CLT ou ser PJ depende da operação.

Vantagens do PJ para empresas:

O custo direto é menor, com economia de 25% a 40% nos encargos. A flexibilidade de contratação e desligamento é maior. Não existe obrigatoriedade de benefícios como vale-transporte ou plano de saúde na folha tradicional. O processo de contratação é mais rápido. A empresa pode contratar especialistas para projetos específicos sem vínculo permanente. PJ não possui as amarras da legislação trabalhista tradicional.

Desvantagens do PJ para empresas:

Existe risco de requalificação do vínculo se houver subordinação típica de emprego. A rotatividade pode ser maior sem as “amarras” do CLT. Exige processo robusto de gestão de contratos e compliance. O prestador pode atender outros clientes simultaneamente. A empresa não pode exigir exclusividade nem controlar horários. PJ é necessário ter um CNPJ ativo e regular, com obrigações fiscais próprias.

Vantagens do CLT para empresas:

CLT oferece maior controle sobre jornada, local de trabalho e subordinação. Vínculo mais estável que facilita retenção de talentos. Benefícios podem ser usados como ferramenta de atração, incluindo plano de saúde corporativo. Menor risco trabalhista quando a operação segue as regras. Adequado para atividades que exigem presença física constante e integração total com a equipe.

Desvantagens do CLT para empresas:

Custo até 80% maior que o salário bruto quando somados todos os encargos. Processo de desligamento mais complexo e caro, com aviso prévio e multas. Rigidez na definição de jornada de trabalho e local. Burocracia maior em admissão e gestão. Encargos fixos independente de produtividade. Os direitos trabalhistas geram custos significativos mesmo em períodos de baixa demanda.

A tabela comparativa resume os principais pontos para quem precisa decidir entre PJ e CLT:

CritérioPJCLT
Custo total5-10% acima do valor bruto65-80% acima do salário
FlexibilidadeAltaBaixa
Controle de jornadaNão podePode
SubordinaçãoNão pode haverExiste
Risco trabalhistaMédio (se mal gerido)Baixo
Nota fiscalObrigatóriaNão se aplica
Adequado paraProjetos, especialistas, altos salários e cargosOperação contínua, presença física

Quando Escolher PJ ou CLT: Decisão Estratégica

A escolha não deveria ser ideológica. Deveria ser técnica. Baseada em três critérios objetivos: natureza do trabalho, perfil do autônomo ou empregado, e estrutura de gestão.

Cenários ideais para contratação PJ:

Profissionais seniores e especializados são candidatos naturais ao regime PJ. Executivos, consultores, desenvolvedores experientes, designers seniores, gerentes de projeto. Quanto maior a senioridade, maior a autonomia. E autonomia é exatamente o que caracteriza uma relação PJ legítima.

Esses profissionais já têm maturidade para gerir sua própria agenda, entregar por resultado e não precisam de supervisão constante. Também entendem melhor as vantagens financeiras de trabalhar como PJ: maior remuneração líquida, possibilidade de atender múltiplos clientes, liberdade para negociar valores.

Projetos com escopo e prazo definidos funcionam bem no modelo PJ. Demanda variável onde a empresa não precisa de alguém em tempo integral justifica a flexibilidade. Atividades que podem ser entregues sem supervisão direta nem controle de horário são candidatas ao PJ.

Cenários ideais para contratação CLT:

Profissionais de entrada e cargos com remuneração mais baixa se encaixam melhor no CLT. Assistentes, analistas júnior, operadores, atendentes. Funções que exigem supervisão direta, treinamento constante e integração com processos internos.

Esses profissionais geralmente precisam de direcionamento sobre como executar o trabalho, não apenas sobre o que entregar. A subordinação é parte natural da relação. E onde há subordinação, CLT é o caminho seguro.

Além disso, o risco trabalhista de converter cargos de entrada para PJ é alto. Profissionais com menor poder de negociação podem alegar posteriormente que foram forçados a aceitar o modelo. A Justiça do Trabalho tende a ser mais rigorosa nesses casos. CLT para a base protege a empresa.

Modelo híbrido: a estratégia mais inteligente

A combinação mais eficiente e segura é clara: PJ para o topo da pirâmide, CLT para a base.

Executivos, diretores, gerentes seniores, especialistas e consultores entram como PJ. Têm autonomia real, entregam por resultado, não precisam de controle de jornada. A economia de encargos é máxima justamente onde os salários são mais altos. Um diretor que custaria R$50.000 no CLT pode custar R$30.000 como PJ. A diferença de R$20.000 por mês por pessoa é brutal.

Assistentes, analistas de entrada, operadores e profissionais em início de carreira ficam no CLT. Você mantém controle total sobre a operação, oferece os direitos trabalhistas que a legislação exige e elimina o risco de reclamações trabalhistas nessa camada.

Esse modelo híbrido reduz significativamente o risco trabalhista da operação. Os profissionais que poderiam questionar o vínculo estão protegidos pelo CLT. Os que genuinamente se beneficiam do PJ têm maturidade para entender e valorizar a escolha.

Segundo análise da Managefy com mais de 500 empresas, organizações que adotam esse modelo híbrido reduzem custos de pessoal em média 18% sem comprometer a qualidade das entregas e praticamente eliminam passivos trabalhistas relacionados a PJs.

Para entender melhor como funciona o trabalho PJ na prática, confira nosso guia completo.

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Aspectos Legais: O Que a Lei Diz

A Reforma Trabalhista de 2017 ampliou a possibilidade de terceirização para qualquer atividade, incluindo a atividade-fim da empresa. Antes, só atividades-meio podiam ser terceirizadas. Essa mudança abriu caminho para a contratação PJ em escala.

Em 2018, o STF julgou a ADPF 324 e declarou a terceirização irrestrita constitucional. O entendimento consolidou que empresas podem contratar outras empresas para qualquer atividade, desde que a relação seja genuinamente comercial.

O problema é que a Justiça do Trabalho frequentemente desconsidera esses precedentes. Quando identifica elementos de subordinação típica de emprego, reconhece o vínculo e condena a empresa a pagar todas as verbas trabalhistas retroativas, incluindo FGTS, férias, 13º e INSS.

Em abril de 2025, o ministro Gilmar Mendes do STF determinou a suspensão nacional de todos os processos sobre pejotização. O Tema 1389 vai definir três questões centrais. Primeira: a Justiça do Trabalho é competente para julgar fraudes em contratos PJ? Segunda: a contratação de PJ é, em si, lícita? Terceira: quem deve provar a fraude, o trabalhador ou a empresa?

A decisão ainda não tem data para julgamento. Mas o recado é claro: o STF quer uniformizar o entendimento e acabar com a insegurança jurídica que afeta tanto quem contrata quanto quem é contratado.

Como evitar a pejotização ilícita:

Pejotização é quando a empresa usa o contrato PJ para mascarar uma relação de emprego. Os elementos que caracterizam emprego são pessoalidade, habitualidade, onerosidade e subordinação. Se esses quatro elementos estão presentes, existe vínculo, independente do que diz o contrato.

Para manter a contratação PJ dentro da lei, siga estas práticas. Não controle horário de entrada e saída. Não exija exclusividade. Defina entregas por resultado, não por horas trabalhadas. Permita que o prestador atenda outros clientes. Não integre o PJ na estrutura hierárquica da empresa. Documente tudo em contrato comercial claro.

Uma gestão de PJs bem estruturada reduz drasticamente o risco de requalificação. Isso exige processo, documentação e ferramentas adequadas. Empresas que gerenciam dezenas ou centenas de prestadores na planilha estão acumulando passivo sem perceber. A Managefy ajuda a substituir controles manuais por uma plataforma centralizada.

Profissionais que atuam como MEI também podem prestar serviços para empresas, desde que respeitado o limite de faturamento anual de R$81 mil. Abrir uma empresa como MEI é uma opção para quem está começando no modelo PJ, com alíquota reduzida e menos burocracia.

FAQ: PJ x CLT

Qual a diferença entre PJ e CLT?

CLT é regime de trabalho com vínculo empregatício, carteira assinada e encargos trabalhistas. PJ é relação comercial entre duas empresas, sem vínculo de emprego, regida pelo Código Civil. O profissional PJ precisa ter CNPJ e emitir nota fiscal.

Quanto uma empresa economiza contratando PJ em vez de CLT?

A economia varia de 25% a 40% do custo total, dependendo do regime tributário da empresa. Um profissional que custaria R$18.000 no CLT pode custar R$10.500 como PJ, considerando todos os encargos e impostos.

PJ ganha mais que CLT?

Em termos líquidos, geralmente sim. O mesmo valor bruto rende mais no bolso do PJ porque os descontos são menores. Um salário de R$15.000 no CLT vira aproximadamente R$11.500 líquido após imposto de renda e INSS. Como PJ, pode chegar a R$13.000 ou mais.

Quais os riscos de contratar PJ?

O principal risco é a requalificação do vínculo pela Justiça do Trabalho. Se a relação tiver características de emprego como subordinação e controle de horário, a empresa pode ser condenada a pagar todas as verbas trabalhistas retroativas com multas e juros.

O que o STF decidiu sobre pejotização em 2025?

Em abril de 2025, o ministro Gilmar Mendes suspendeu todos os processos sobre pejotização no país através do Tema 1389. A decisão de mérito ainda não foi proferida, mas vai definir regras vinculantes sobre competência, licitude e ônus da prova.

Empresa pode exigir exclusividade de um PJ?

Não. Exigir exclusividade é um dos elementos que caracteriza vínculo empregatício. O prestador PJ deve ter autonomia para atender outros clientes e definir sua própria agenda.

Como calcular se vale a pena contratar PJ ou CLT?

Use uma calculadora CLT específica. Some todos os encargos do CLT ao salário bruto: INSS patronal de 20%, FGTS de 8%, férias, 13º e provisão de rescisão. Compare com o valor do contrato PJ mais ISS. A diferença mostra a economia real. Também considere benefícios como plano de saúde.

Quais atividades podem ser contratadas como PJ?

Após a Reforma Trabalhista de 2017 e a decisão do STF na ADPF 324, qualquer atividade pode ser terceirizada, incluindo a atividade-fim. O que importa é a natureza real da relação, não a atividade em si.

Próximo Passo

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