Reforma Tributária PJ: 7 Mudanças Para Empresas em 2026

Reforma Tributária PJ

Empresas que contratam PJs precisam adaptar sistemas, revisar contratos e entender a nova dinâmica de créditos tributários. A reforma tributária começou em 1º de janeiro de 2026 e vai transformar a gestão de prestadores de serviço pessoa jurídica até 2033.

O impacto da reforma tributária PJ não é teórico. É um cronograma em execução. Notas fiscais já destacam IBS e CBS, os novos tributos que vão substituir cinco impostos no Brasil.

Neste artigo, você vai entender as mudanças trazidas pela reforma, quais decisões precisam ser tomadas agora e como preparar sua operação para a transição completa do sistema tributário nacional.

Empresário e profissional discutindo contrato de prestação de serviços com gráficos de impostos ao fundo

Reforma Tributária 2026: O Que Muda Para Empresas com PJs

A nova reforma tributária no Brasil unifica cinco tributos (PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS) em dois novos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), de competência federal, e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), de competência de estados e municípios. Juntos, CBS e IBS formam o chamado IVA Dual brasileiro, um Imposto sobre Valor Agregado que promete simplificar o sistema tributário.

A reforma tributária é a maior mudança fiscal das últimas décadas. O objetivo central da unificação dos impostos sobre o consumo é simplificar a tributação das empresas e reduzir a complexidade do sistema fiscal brasileiro.

Para empresas que contratam prestadores PJ, a mudança mais relevante é o sistema de créditos. A nova lógica tributária é não cumulativa. Isso significa que sua empresa poderá abater o tributo pago na contratação de serviços PJ do imposto devido nas suas próprias vendas.

Parece simples, mas há uma pegadinha: o crédito tributário que você vai aproveitar depende do regime tributário do prestador.

A Lei Complementar 214/2025 estabelece que fornecedores do Simples Nacional e MEI só repassam créditos conforme o efetivo pagamento dos tributos em suas guias. Se o prestador PJ paga 5% de IBS/CBS dentro do Simples, você só aproveita esses 5%, não os 28% da alíquota padrão.

Segundo a Receita Federal, o ano de 2026 é período de testes. As alíquotas são de 0,9% para CBS e 0,1% para IBS, meramente informativas. Não há impacto financeiro direto ainda. Mas as empresas precisam adaptar sistemas e processos agora para atuar no novo modelo fiscal.

O Ato Conjunto 01/2025 do Comitê Gestor do IBS e da Receita Federal confirmou que não haverá penalidades para quem não preencher os campos de IBS e CBS nas notas fiscais até o quarto mês após a publicação dos regulamentos completos. Mas essa folga não significa que você pode ignorar a transição.

IBS e CBS: Como Afetam a Contratação de Prestadores

O crédito gerado pelo prestador PJ do Simples Nacional será limitado ao valor que ele efetivamente recolheu. Se o prestador está inadimplente, você não aproveita crédito nenhum. Esse é o impacto mais direto para quem contrata PJs.

Hoje, contratar um prestador de serviços do Simples Nacional pode gerar créditos de 9,25% de PIS e Cofins para empresas do Lucro Real. Com a reforma tributária, esse cenário muda radicalmente.

Veja um exemplo prático: sua empresa contrata um consultor profissional PJ do Simples Nacional por R$ 50.000. Supondo que a alíquota efetiva de IBS/CBS embutida no DAS dele seja 5%, você só terá direito a R$ 2.500 de crédito. Se contratasse o mesmo serviço de uma empresa do Lucro Presumido ou Lucro Real pela alíquota padrão de 28%, o crédito seria de R$ 14.000.

A diferença de R$ 11.500 é dinheiro que sai do seu caixa. Profissionais liberais e prestadores de serviço que atuam como pessoa jurídica serão diretamente afetados pela reforma nesse aspecto.

Isso exige uma análise criteriosa da sua base de prestadores. Empresas que dependem significativamente de fornecedores do Simples Nacional para prestação de serviços podem enfrentar aumento de custo efetivo, mesmo que as alíquotas nominais sejam iguais.

A reforma tributária também introduz o Split Payment, que será implementado gradualmente a partir de 2026. Esse mecanismo antecipa a arrecadação: o tributo é descontado automaticamente no momento do pagamento, antes de chegar ao seu prestador. Para empresas com grande volume de PJs, isso muda completamente a gestão de fluxo de caixa e capital de giro.

CenárioCrédito Atual (PIS/Cofins)Crédito Pós-Reforma
PJ no Lucro Real/Presumido9,25%Até 28% (alíquota padrão)
PJ no Simples Nacional9,25% (crédito ordinário)Limitado ao efetivamente recolhido (ex: 5%)
PJ inadimplenteCrédito apropriávelZero crédito

 

Área de trabalho organizada com computador, contrato impresso e notas fiscais no centro

Impacto no Simples Nacional e MEI

O Simples Nacional não vai acabar. Mas as empresas do Simples vão enfrentar um ambiente competitivo diferente com a tributação sobre o consumo reformulada.

A grande maioria dos PJs no Brasil são MEI ou empresas do Simples Nacional. Para a empresa contratante, isso significa que a maioria dos prestadores que você trabalha hoje oferecerá créditos tributários menores do que fornecedores do regime normal de tributação.

A boa notícia é que o Simples Nacional terá a opção de aderir ao modelo híbrido. Empresas do Simples poderão escolher, semestralmente, se querem apurar IBS e CBS pelo regime regular, gerando créditos integrais para seus clientes. Isso pode ajudar profissionais liberais a manterem competitividade.

A primeira janela de opção será em setembro de 2026, com efeito a partir de janeiro de 2027.

Para prestadores que atendem majoritariamente empresas do Lucro Presumido ou Lucro Real, essa opção pode ser estratégica. Eles passam a gerar créditos integrais, mantendo competitividade no mercado B2B. É fundamental entender as mudanças para tomar a melhor decisão.

O MEI, por sua vez, permanece sem mudanças estruturais. Segundo esclarecimento oficial do Ministério da Fazenda publicado em janeiro de 2026, nada muda para o microempreendedor individual em termos de obrigações ou tributação. Pessoa física que presta serviços sem CNPJ também não é afetada.

A reforma tributária também criou a figura do nanoempreendedor, que terá isenção total de CBS e IBS. São profissionais com faturamento anual de até R$ 40,5 mil que não optaram pelo MEI. Para empresas que contratam serviços de baixo valor, essa categoria pode ser uma alternativa.

As empresas do Simples Nacional terão até setembro de 2026 para optar se continuarão no regime favorecido ou migrarão para o sistema híbrido em 2027. É uma das polêmicas da reforma que ainda gera dúvidas.

Retenções na Fonte: O Que Esperar

A sistemática de retenções muda com a reforma tributária. A Lei Complementar 214/2025 prevê mecanismos de retenção na fonte para CBS e IBS, mas a regulamentação específica ainda está sendo definida pelo Comitê Gestor.

O que já sabemos: o Split Payment será obrigatório no varejo e operará automaticamente em pagamentos eletrônicos (cartão, débito, Pix). Para prestação de serviços PJ, a implementação será gradual.

Na prática, isso pode significar que sua empresa terá duas opções ao pagar um prestador PJ:

  1. Pagar o valor bruto e confiar que o prestador recolherá os tributos (modelo atual)
  2. Pagar o valor líquido e recolher os tributos diretamente ao fisco

A segunda opção está prevista no artigo 27 da LC 214/2025 e garante que você aproveitará o crédito integral, independentemente da regularidade fiscal do prestador. Isso não afeta o Imposto de Renda, que mantém suas regras próprias de retenção.

Para empresas com grande volume de PJs, essa pode ser a única forma de garantir a apropriação total dos créditos. Mas exige mudanças operacionais significativas: renegociação de contratos, adequação de sistemas de pagamento e novos processos de conciliação na contabilidade.

A regulamentação completa das retenções ainda depende da publicação dos regulamentos do IBS e da CBS, prevista para o primeiro semestre de 2026.

Cronograma de Implementação: Datas Importantes

A transição da reforma tributária vai durar 7 anos. Segundo o Senado Federal, estas são as datas críticas para quem gerencia prestadores PJ:

2026 — Ano de Testes Notas fiscais já destacam IBS (0,1%) e CBS (0,9%), mas sem cobrança efetiva. Empresas do Simples Nacional não têm obrigações específicas. É o momento de adaptar sistemas, revisar contratos e treinar equipes de contabilidade.

2027 — CBS Entra em Vigor PIS e Cofins são extintos. A CBS passa a valer com alíquota cheia (estimada em 8,8%). O IPI é zerado para a maioria dos produtos. Empresas do Simples podem optar pelo modelo híbrido. Split Payment começa a ser implementado. A reforma tributária trará impacto direto na carga tributária a partir deste ano.

2029 a 2032 — Transição Estadual e Municipal ICMS e ISS começam a ser substituídos progressivamente pelo IBS. As alíquotas do IBS crescem gradualmente enquanto ICMS e ISS diminuem. Estados e municípios perdem autonomia sobre alíquotas.

2033 — Sistema Definitivo Extinção total de ICMS e ISS. O IVA Dual (CBS + IBS) opera em regime pleno com alíquota estimada entre 26,5% e 28%.

AnoO Que AconteceImpacto na Gestão de PJs
2026Testes (sem cobrança)Adaptar sistemas e processos
2027CBS em vigor, opção híbrida SimplesRevisar contratos, analisar base de prestadores
2029-2032Transição ICMS/ISS para IBSAjustar precificação gradualmente
2033Sistema definitivoOperação normalizada no novo modelo

Como Se Preparar: Ações Práticas Para Empresas

A reforma tributária exige ação imediata, mesmo que os efeitos financeiros só comecem em 2027. Segundo a Câmara dos Deputados, o período de testes serve justamente para adaptação. Aqui está um checklist prático para empresas afetadas pela reforma que contratam PJs:

Mapeie sua base de prestadores por regime tributário. Identifique quantos PJs estão no Simples Nacional, MEI, Lucro Presumido e Lucro Real. Isso determina o impacto potencial na apropriação de créditos e se a carga tributária vai aumentar.

Atualize sistemas de emissão e recebimento de notas fiscais. Os ERPs precisam suportar os novos campos de IBS e CBS. A Nota Técnica 2024.002 da NFe define as regras de preenchimento. Cada nota fiscal emitida deve conter os novos campos.

Revise contratos com prestadores. Inclua cláusulas sobre regularidade fiscal, repasse de créditos e possibilidade de retenção. Contratos firmados antes da reforma podem precisar de aditivos para atuar no novo cenário tributário.

Implemente validação de regularidade fiscal dos PJs. Se o prestador não recolher os tributos, você não aproveita o crédito. Ferramentas de validação de certidões passam a ser críticas para a contabilidade.

Simule cenários tributários. Compare o custo efetivo de manter prestadores do Simples versus incentivar migração para o regime híbrido ou contratar fornecedores do regime normal. Avalie a carga tributária total em cada cenário.

Treine as equipes de RH, financeiro e contabilidade. A reforma muda a dinâmica de trabalho dessas áreas. Capacitação reduz erros e retrabalho.

Avalie a opção de recolhimento pelo adquirente. Para garantir créditos integrais, considere pagar o preço líquido aos prestadores e recolher os tributos diretamente. Isso exige adequação de processos, mas elimina o risco de perda de créditos.

O Modelo PJ Continua Vantajoso? Análise Comparativa

Sim, continua vantajoso. A economia estrutural do modelo PJ se mantém intacta com a reforma tributária.

O regime CLT não foi alterado. Os encargos trabalhistas, que representam entre 70% e 100% do salário bruto, permanecem inalterados. FGTS, INSS patronal, 13º, férias, adicional de 1/3 são custos que não existem na contratação PJ.

A reforma muda a tributação sobre o consumo, não sobre folha de pagamento. Para entender melhor essa diferença, vale conferir nosso comparativo completo de PJ x CLT.

O que muda é a dinâmica de custos indiretos. Se sua empresa contrata PJs do Simples Nacional e hoje aproveita 9,25% de crédito de PIS/Cofins, pode perder parte desse benefício dependendo da alíquota efetiva que o prestador paga.

Mas há uma compensação: no novo modelo, você também gerará mais créditos nas suas próprias operações, o que pode neutralizar parte do impacto.

O setor de serviços pode enfrentar aumento de carga tributária efetiva em alguns casos, especialmente para empresas do Lucro Presumido que pagam alíquota reduzida de ISS. Profissionais liberais que atuam como pessoa jurídica podem precisar reajustar preços. Isso pode pressionar os valores cobrados por prestadores PJ.

Para a empresa contratante, o equilíbrio depende de três fatores: volume de créditos que você consegue apropriar (quanto maior, melhor a compensação), regime tributário dos seus prestadores (Simples gera menos crédito) e sua própria capacidade de repassar custos (depende do mercado).

A análise precisa ser feita caso a caso, com simulações específicas para sua estrutura de fornecedores e clientes baseadas no faturamento de cada prestador. Vale também acompanhar as atualizações sobre a nova lei trabalhista e PJ para entender o contexto regulatório completo.

FatorImpacto no Modelo PJ
Encargos trabalhistas CLTInalterados (economia PJ se mantém)
Créditos tributáriosVariam conforme regime do prestador
Alíquota do setor de serviçosPode aumentar de 8,65% para até 28%
Split PaymentMuda fluxo de caixa, não custo total
Compliance exigidoAumenta (validação de regularidade fiscal)

O Que Pensamos: PJ Segue Sendo a Melhor Alternativa

O regime PJ continua sendo o melhor instrumento de aumento de renda para profissionais e de margem para empresas. A reforma tributária muda a mecânica, não a lógica econômica.

A CLT permanece um péssimo negócio para todos os envolvidos. Os encargos continuam consumindo entre 70% e 100% do salário. O governo continua ficando com a maior parte. Nada disso mudou.

O que a reforma faz é exigir mais organização. Empresas que gerenciam PJs com planilha, e-mail e WhatsApp vão sofrer. Quem não validar regularidade fiscal vai perder créditos. Quem não adaptar sistemas vai emitir notas erradas.

O ponto principal é: a reforma não pune quem contrata PJ. Pune quem contrata PJ de forma desorganizada.

Quem se adaptar primeiro, ganha. Quem estruturar processos, apropriar créditos corretamente e manter compliance em dia vai transformar a transição em vantagem competitiva.

FAQ: Reforma Tributária e PJ

1. Prestadores PJ precisam emitir nota fiscal diferente em 2026?

Sim. Desde 1º de janeiro de 2026, notas fiscais devem destacar os campos de IBS e CBS. Porém, para empresas do Simples Nacional e MEI, essa obrigação é facultativa no primeiro ano. O preenchimento é informativo e não gera cobrança de tributo.

2. A reforma tributária aumenta os impostos para quem contrata PJ?

Não diretamente. A alíquota do IVA (estimada em 28%) incide sobre a operação do prestador, não sobre a empresa contratante. Porém, se o prestador repassar o aumento de custos, o preço do serviço pode subir.

3. Minha empresa perde crédito se o PJ for do Simples Nacional?

Potencialmente, sim. O crédito apropriável será limitado ao valor que o prestador efetivamente recolheu. Se ele paga 5% de IBS/CBS no Simples, você só aproveita esses 5%, não os 28% da alíquota padrão.

4. O MEI vai pagar mais impostos com a reforma?

Não. Segundo esclarecimento do Ministério da Fazenda, o MEI permanece com tratamento diferenciado e simplificado. Nenhuma mudança estrutural foi implementada para essa categoria no sistema tributário.

5. O que é o Simples Nacional híbrido?

É uma opção que permite a empresas do Simples apurarem IBS e CBS pelo regime regular, fora do DAS. Isso gera créditos integrais para clientes PJ. A escolha será semestral, com primeira janela em setembro de 2026.

6. Quando começa a cobrança efetiva dos novos tributos?

A CBS entra em vigor com alíquota cheia em 2027. O IBS começa a substituir ICMS e ISS gradualmente a partir de 2029, com conclusão em 2033.

7. O Split Payment afeta pagamentos a prestadores PJ?

Sim, a partir de 2027. O tributo será descontado automaticamente no momento do pagamento em transações eletrônicas. Isso muda o fluxo de caixa tanto do prestador quanto da empresa contratante.

8. Como garantir que vou aproveitar 100% dos créditos de PJ?

A LC 214/2025 permite que a empresa contratante recolha os tributos diretamente, pagando o preço líquido ao prestador. Isso garante crédito integral, independentemente da regularidade fiscal do PJ.

Conclusão

A reforma tributária exige gestão estruturada de PJs. Sistemas adaptados, contratos revisados, validação de regularidade fiscal e processos claros de apropriação de créditos passam a ser requisitos, não diferenciais.

Se sua empresa quer garantir compliance, apropriar créditos corretamente e transformar a transição tributária em vantagem competitiva, conheça como a Managefy pode ajudar na gestão completa dos seus prestadores PJ.

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