Managefy vs Sistemas de Departamento Pessoal: 7 Erros ao Usar CLT com PJ no DP

Managefy vs Sistemas DP Managefy vs Sistemas Departamento Pessoal

Usar software de Departamento Pessoal para gerenciar prestadores PJ é um dos erros mais caros que uma empresa pode cometer. Não porque o sistema de gestão seja ruim, mas porque foi feito para outro tipo de relação de trabalho. O resultado é documentação que vira prova contra você em um processo trabalhista.

Sólides e Convenia fazem rotinas de DP para CLT. Managefy faz rotinas de DP para PJ. Parece sutil, mas essa diferença pode significar milhões de reais em passivo trabalhista.

Neste artigo, você vai entender por que misturar essas categorias é perigoso, o que cada software de DP faz de verdade, e como escolher o sistema certo para cada tipo de contratação PJ. Se sua empresa tem CLTs e PJs simultaneamente, provavelmente precisa de duas ferramentas distintas, cada uma no seu domínio.

A Confusão Que Pode Custar Milhões

A requalificação de contrato PJ para CLT custou em média R$ 180 mil por profissional em 2024, segundo levantamento publicado no Conjur. Esse valor considera verbas rescisórias retroativas de até cinco anos, FGTS com multa de 40%, INSS patronal atrasado, férias, décimo terceiro e, em muitos casos, indenização por dano moral.

O problema não é contratar PJ. O problema é tratar PJ como CLT.

Minha visão sobre isso é direta: usar software de Departamento Pessoal para gerenciar PJ é criar munição para um processo trabalhista futuro. Já vi empresas com 80 prestadores PJ cadastrados na Sólides como “colaboradores”, com registro de férias, avaliação de desempenho e até controle de ponto. Quando perguntei por que faziam isso, a resposta foi “para ter tudo organizado em um lugar só”. A organização existia. A proteção jurídica, não. Cada registro era mais uma prova de que aqueles PJs eram tratados como empregados.

Quando um gestor de RH decide cadastrar prestadores PJ no mesmo sistema usado para funcionários CLT, está criando um arquivo de provas que a empresa pode usar contra si mesma. Cada registro de “férias” de um PJ, cada controle de “ponto”, cada avaliação de “desempenho” com métricas de subordinação vira evidência documental de que aquele profissional era tratado como colaborador.

A Justiça do Trabalho brasileira opera sob o princípio da primazia da realidade. Isso significa que o juiz não olha apenas o contrato assinado entre as partes. Ele analisa como a relação funcionava no dia a dia. Se o software registra que o PJ batia ponto, tirava férias programadas e recebia ordens diretas documentadas, o contrato comercial perde valor. O tratamento de fato prevalece sobre o acordo de direito.

Esse risco legal não é teórico. Em 2023, o Tribunal Superior do Trabalho julgou mais de 47 mil casos de reconhecimento de vínculo empregatício envolvendo prestadores PJ, conforme dados do Relatório Geral da Justiça do Trabalho. A maior parte das condenações veio de empresas que tinham documentação interna tratando os PJs exatamente como tratavam os CLTs.

O paradoxo é que gestores de Recursos Humanos escolhem cadastrar PJs em sistemas de DP justamente para ter organização e controle. A intenção é boa. O efeito é catastrófico. Ao centralizar tudo no mesmo lugar, a empresa cria um dossiê que demonstra tratamento uniforme entre CLTs e PJs, que é exatamente o que caracteriza o vínculo empregatício disfarçado.

Uma pessoa apontando para uma lista de verificação na tela de um laptop

CLT e PJ: Dois Mundos, Dois Processos

A relação CLT e a relação PJ operam sob lógicas completamente diferentes. Entender essas diferenças é o primeiro passo para evitar que sua operação vire um passivo trabalhista.

A tabela abaixo resume os elementos que distinguem cada tipo de relação:

ElementoRelação CLTRelação PJ
SubordinaçãoOrdens de como, quando e onde trabalharAutonomia na execução
PessoalidadeTrabalho intransferívelPode subcontratar
HabitualidadeRotina contínua e previsívelEscopo definido com começo e fim
PagamentoHolerite mensalNota fiscal contra CNPJ
ControlePonto e jornadaEntregas e prazos
FériasDireito trabalhista com 1/3Acordo comercial de indisponibilidade
AvaliaçãoComportamento e subordinaçãoEntrega e qualidade

O Que Define Uma Relação CLT

Uma relação de emprego CLT se caracteriza por quatro elementos simultâneos: subordinação, pessoalidade, habitualidade e onerosidade.

Subordinação significa que o trabalhador recebe ordens sobre como, quando e onde executar o trabalho. O empregador define horário de entrada, horário de saída, local de trabalho e método de execução das tarefas. O funcionário cumpre porque existe hierarquia formal.

Pessoalidade implica que o trabalho deve ser executado por aquela pessoa específica. O colaborador não pode mandar um substituto no seu lugar. A empresa contratou aquele indivíduo, não uma capacidade abstrata de entrega.

Habitualidade se refere à frequência e previsibilidade do trabalho. O funcionário comparece regularmente, em dias definidos, com rotina estabelecida. Não existe “projeto” com começo e fim. Existe relação contínua.

Onerosidade é a contraprestação pelo trabalho. O colaborador recebe salário como pagamento pela disponibilidade e execução das tarefas, incluindo cálculo de horas extras quando aplicável.

Quando esses quatro elementos estão presentes, existe vínculo empregatício, independentemente do nome dado ao contrato.

O Que Define Uma Relação PJ

O contrato com pessoa jurídica funciona sob outra lógica. O prestador PJ é um fornecedor, não um subordinado. A empresa contrata uma entrega, não uma pessoa.

Autonomia é o primeiro marcador. O PJ decide como executar o trabalho. Pode escolher horários, local, ferramentas e método. O contratante define o resultado esperado, não o caminho para chegar lá.

Impessoalidade significa que o PJ pode subcontratar. Se a empresa contratou a entrega de um relatório de análise, o titular do CNPJ pode delegar parte do trabalho para um sócio ou terceiro. O que importa é o resultado, não quem executou.

Eventualidade indica que a relação tem escopo definido. Pode ser um projeto, um período, uma demanda específica. Mesmo em contratos de longo prazo, o vínculo é comercial, não empregatício.

O pagamento acontece por nota fiscal, não por holerite. O PJ emite NF-e ou NFS-e descrevendo o serviço prestado, e a empresa paga como pagaria qualquer outro fornecedor. Não há recolhimento de encargos trabalhistas pela contratante.

Por Que Misturar É Perigoso

O risco surge quando a empresa documenta uma relação PJ usando ferramentas e processos burocráticos de CLT.

Cadastrar um prestador como “colaborador” no software de RH já cria ambiguidade. A palavra “colaborador” carrega conotação de vínculo empregatício. Se o juiz vê que a empresa chamava o PJ de colaborador nos sistemas internos, começa a questionar se a relação era mesmo comercial.

Registrar férias de PJ é ainda mais grave. PJ não tira férias. A empresa pode acordar período de indisponibilidade entre as partes, as famosas ausências PJ, mas não existe o conceito trabalhista de férias remuneradas com adicional de um terço. Se o software registra que o PJ “tirou férias” em janeiro, a empresa documentou tratamento de empregado. Se a empresa controla saldo a tirar de férias, tambem.

Controle de ponto é a prova mais direta de subordinação. Se existe registro de ponto com horário de entrada e saída do PJ, a empresa está demonstrando que controlava a jornada. Esse controle é o núcleo da subordinação CLT.

Pagamento via folha de pagamento, em vez de contra nota fiscal, também caracteriza vínculo. O PJ emite nota, a empresa paga o fornecedor. Se o pagamento entra na mesma rotina da folha dos CLTs, sem nota fiscal como base, o tratamento fiscal e trabalhista se confunde.

Avaliação de desempenho com métricas de subordinação completa o quadro. Avaliar o PJ por pontualidade, assiduidade e obediência a ordens é avaliar como se fosse colaborador. O resultado é mais uma prova de que a relação era de emprego disfarçado.

O Que Sistemas de Departamento Pessoal e RH Fazem de Verdade

Sólides faz gestão de pessoas CLT. Convenia faz Departamento Pessoal operacional CLT. Gupy faz recrutamento e seleção. Ahgora faz registro de ponto eletrônico. Flash faz gestão de benefícios flexíveis. Nenhum deles é um software de Departamento Pessoal projetado para gerenciar prestadores PJ.

Antes de escolher o sistema, você precisa entender o que cada tipo de software foi projetado para resolver. Nenhum deles é ruim. O problema é usar no contexto errado.

Sólides: Gestão de Pessoas CLT

A Sólides nasceu para resolver um problema específico: ajudar empresas a gerir o ciclo de vida de funcionários CLT com foco em desenvolvimento e engajamento. É um software de gestão de Recursos Humanos que vai além do burocrático. A plataforma atende mais de 30 mil empresas no Brasil, segundo dados da própria empresa.

O ponto forte da plataforma está em People Analytics, gestão de desempenho, pesquisa de clima organizacional e gestão de competências. A Sólides ajuda a área de RH a entender quem são os talentos, quem precisa de treinamento e como está a cultura da empresa. A funcionalidade de avaliação permite acompanhar se os colaboradores estão engajados.

O público natural são empresas com equipes CLT que querem evoluir do Departamento Pessoal operacional para o RH estratégico. Se você tem 100 funcionários registrados e quer reduzir turnover, a Sólides entrega valor.

A limitação para PJ é estrutural. A Sólides não foi desenhada para lidar com contrato comercial, nota fiscal, compliance PJ ou as particularidades legais da relação PJ. Usar a plataforma para gerenciar PJs significa adaptar um software de gestão de pessoas para uma relação que não é de “pessoa” no sentido trabalhista, mas de fornecedor.

Convenia: Departamento Pessoal CLT

A Convenia ataca outro problema: automatizar os processos de RH e as rotinas burocráticas do Departamento Pessoal para funcionários CLT. É um sistema que digitaliza a rotina do DP. A empresa processa mais de 500 mil folhas de pagamento por mês, de acordo com informações do site oficial.

O software cobre admissão digital, cálculo de folha de pagamento, gestão de benefícios, férias, rescisão e integração contábil. A implementação do sistema é ágil. Se você quer eliminar papel, reduzir erro manual e centralizar o DP em uma plataforma, a Convenia resolve. A funcionalidade de eSocial integrado facilita o gerenciamento das obrigações acessórias.

O foco é em empresas que querem digitalizar o Departamento Pessoal tradicional. Startups em crescimento, scale-ups que contratam rápido, empresas de médio porte com DP sobrecarregado de processos burocráticos.

Para PJ, a Convenia tem o mesmo problema da Sólides: o fluxo de trabalho pressupõe admissão CLT, não contratação comercial. Não existe campo para CNPJ do prestador, validação de nota fiscal, contrato de prestação de serviço ou as especificidades que o modelo PJ exige. Cadastrar um PJ na Convenia seria forçar uma relação comercial em um molde trabalhista.

Gupy: Recrutamento e Seleção

A Gupy se posiciona no início do funil: atrair, triar e selecionar candidatos. É um software focado em recrutamento e seleção.

O ATS (Applicant Tracking System) da empresa é referência no Brasil para processos seletivos em escala. Com recursos de employer branding, triagem automatizada e integração com plataformas de emprego, a Gupy ajuda empresas a contratar mais rápido e com mais qualidade. Segundo a empresa, mais de 3 mil organizações usam a plataforma.

O público são empresas com alto volume de contratação. Redes de varejo, indústrias, empresas de tecnologia em expansão agressiva.

A limitação para PJ é de escopo. A Gupy resolve o recrutamento, não a gestão de PJ posterior. Mesmo que você use a plataforma para encontrar prestadores PJ (o que é possível), ela para na contratação. Não há gerenciamento de contrato, nota fiscal, pagamento ou ciclo de vida do prestador.

Ahgora e Pontomais: Controle de Jornada

Sistemas de controle de ponto como Ahgora e Pontomais existem para resolver uma obrigação legal: fazer o registro de ponto da jornada de trabalho de funcionários CLT.

A CLT exige que empresas com mais de 20 funcionários mantenham controle de ponto. Esses sistemas automatizam o registro, fazem cálculo de banco de horas extras, integram com folha de pagamento e geram os relatórios exigidos pela fiscalização.

Para CLT, são ferramentas essenciais. Para PJ, são armadilhas.

Controlar horário de prestador PJ é exatamente o que caracteriza subordinação. Se você registra que o PJ entrou às 9h e saiu às 18h, está documentando controle de jornada. Esse registro de ponto, em um processo trabalhista, vira prova de que a empresa tratava o PJ como colaborador.

O uso de sistema de ponto eletrônico para PJ não é apenas desnecessário, é contraproducente. Cria evidência de vínculo onde deveria existir apenas relação comercial.

Flash: Benefícios Flexíveis

A Flash modernizou a gestão de benefícios com o cartão multibenefício. Em vez de vale-refeição separado de vale-transporte separado de vale-cultura, tudo fica em um único cartão com saldo flexível.

Para funcionários CLT, é uma evolução na experiência do colaborador. Mais autonomia, mais praticidade, melhor percepção do pacote de benefícios.

Para PJ, o conceito não se aplica.

Benefício é uma característica da relação de emprego. Vale-refeição, vale-transporte, plano de saúde como benefício corporativo são componentes do pacote de remuneração do colaborador. Quando uma empresa oferece esses itens para um prestador PJ, está criando mais um indício de vínculo empregatício.

O PJ pode ter acesso a benefícios, mas como parte da negociação comercial, não como “benefício de colaborador”. A diferença parece semântica, mas tem consequência jurídica direta.

Um laptop em estilo flat mostrando ícones de arquivos cinza e um pequeno ponto de alerta vermelho suave no canto.

O Que a Managefy Faz de Diferente

A Managefy existe para resolver um problema que nenhum sistema de gestão PJ tradicional endereça: as rotinas de Departamento Pessoal para prestadores PJ. É uma ferramenta que ocupa uma categoria própria.

O foco não é contrato, não é nota fiscal, não é pagamento isolado. Esses são pontos de partida que qualquer ERP ou sistema de contas a pagar resolve. O trabalho pesado está na rotina do mês: quem aprova o valor, quem vê os números, como documenta ajustes, como fecha o ciclo sem exposição e sem retrabalho.

Por Que É Uma Categoria Diferente

A diferença fundamental está no tipo de relação que o software foi construído para gerenciar.

Sistemas de DP tradicionais partem de um pressuposto: existe vínculo empregatício. O “colaborador” tem CTPS, recebe salário, tira férias, tem FGTS. Todo o fluxo de trabalho do software reflete essa realidade. É DP para CLT.

A Managefy parte de outro pressuposto: existe contrato comercial. O prestador tem CNPJ, emite nota fiscal, negocia escopo e prazo, não tem subordinação. O fluxo de trabalho reflete essa outra realidade. É rotina de DP para PJ.

Onde o sistema de DP fala em “admissão”, a Managefy fala em “contratação comercial”. Onde a folha registra “holerite”, a Managefy registra “nota fiscal validada”. Onde o DP calcula “rescisão”, a Managefy documenta “distrato comercial”.

Não é apenas troca de nomenclatura. A estrutura de dados, os campos obrigatórios, as validações automáticas e os relatórios foram desenhados para a relação PJ desde a primeira linha de código.

Folha PJ: O Mecanismo de Fechamento

O conceito de Folha PJ é central para entender o que a Managefy entrega.

Assim como a folha de pagamento CLT consolida salários, benefícios, descontos e encargos dos funcionários para um fechamento mensal, a Folha PJ consolida valores devidos, ajustes, reembolsos e aprovações dos prestadores para o fechamento do mês.

A diferença está na base legal e nos processos. Na Folha PJ, cada prestador tem seu contrato comercial como referência. Os valores passam por aprovação de gestor antes do pagamento. Os ajustes ficam documentados com histórico rastreável. O sigilo de valores é respeitado por perfil de acesso.

O resultado é um fechamento previsível, sem correria de última hora, sem planilhas paralelas, sem WhatsApp com prestador cobrando pagamento.

O Que Managefy Não Faz

É igualmente importante entender o que a Managefy não faz, porque tentar usar o software para o propósito errado gera frustração.

A Managefy não faz folha de pagamento CLT. Se você tem funcionários registrados, precisa de um sistema de Departamento Pessoal tradicional para essa parte da operação.

A Managefy não faz controle de ponto. Aliás, nem deveria ter essa funcionalidade. Controlar horário de PJ seria criar exatamente o risco que a ferramenta ajuda a evitar.

A Managefy não gerencia benefícios CLT. Vale-refeição, vale-transporte, plano de saúde corporativo para colaboradores fica em outro software.

A Managefy não é ATS de recrutamento e seleção. Se você precisa encontrar prestadores PJ, existem plataformas especializadas para isso. A Managefy entra depois, quando o prestador já foi selecionado e precisa ser gerenciado.

A Managefy não substitui seu sistema de RH para CLTs. Ela complementa, ocupando o espaço das rotinas de DP para PJs que o software tradicional não consegue cobrir sem criar risco.

7 Evidências Que Você Está Criando Sem Saber

Empresas que usam software de Departamento Pessoal para gerenciar PJs estão produzindo documentação que, em um processo trabalhista, trabalha contra elas. Veja as evidências mais comuns.

1. Cadastro Como “Colaborador”

Quando o PJ entra no sistema com a etiqueta de “colaborador”, o tratamento já começa errado. Nos registros internos da empresa, aquele prestador aparece ao lado dos funcionários CLT, na mesma base, com campos semelhantes.

Um auditor ou advogado trabalhista que acesse esses registros encontrará indícios de que a empresa não fazia distinção clara entre empregados e prestadores.

2. Registro de Férias

PJ não tira férias. A empresa pode acordar período de indisponibilidade entre as partes, mas o conceito trabalhista de férias remuneradas com adicional constitucional não se aplica.

Se o software mostra que o PJ “está de férias” ou “solicita férias”, a empresa documentou que concedia esse direito trabalhista a um prestador comercial.

3. Controle de Jornada

Qualquer registro de ponto com horário de entrada e saída de PJ é prova de subordinação. O PJ deveria ter autonomia para definir quando trabalha. Se a empresa registra horário, está demonstrando controle de jornada.

Sistemas de ponto eletrônico geram logs automáticos. Mesmo que ninguém olhe esses dados no dia a dia, eles ficam armazenados e podem ser requisitados em processo judicial.

4. Avaliação Com Critérios de Subordinação

Avaliar o PJ por pontualidade, assiduidade, cumprimento de ordens e comportamento no ambiente de trabalho é avaliar como colaborador.

A avaliação de prestador comercial deveria focar em entrega: prazo, qualidade, escopo atendido. Quando os critérios são os mesmos usados para CLT, a empresa está tratando o PJ como subordinado.

5. Pagamento Sem Nota Fiscal

Se o PJ recebe na mesma rotina da folha de pagamento, sem emitir nota fiscal, a empresa está pagando como salário, não como serviço.

O correto é que cada pagamento tenha como base uma NF-e ou NFS-e emitida pelo prestador. Sem nota, não existe comprovação de que a relação era comercial.

6. Comunicação Hierárquica Documentada

E-mails e mensagens com ordens diretas ao PJ, cobrando horário, exigindo presença, determinando como executar tarefas, viram prova de subordinação.

A comunicação com prestador comercial deveria ser de alinhamento de escopo e expectativa de entrega, não de comando e controle.

7. Integração Com Benefícios

Se o PJ aparece no sistema de benefícios corporativos, com vale-refeição ou plano de saúde empresarial, a empresa está documentando tratamento de colaborador.

Prestadores podem negociar condições comerciais que incluam valores equivalentes a benefícios, mas isso deveria estar no contrato e na nota fiscal, não no software de gestão de benefícios CLT.

Como a Justiça do Trabalho Interpreta Esses Registros

O princípio da primazia da realidade é a base da interpretação trabalhista brasileira. Isso significa que o juiz analisa como a relação funcionava na prática, independentemente do que o contrato diz.

Se o contrato comercial afirma que o prestador é autônomo, mas os sistemas da empresa mostram controle de ponto, registro de férias e avaliação por obediência a ordens, o juiz vai considerar que existia subordinação. O contrato perde força diante das evidências práticas.

O TST tem jurisprudência consolidada sobre isso. Em casos de reconhecimento de vínculo, os desembargadores frequentemente citam registros de sistemas internos como prova de tratamento de colaborador. A documentação eletrônica é especialmente valorizada porque é difícil de fraudar: os logs mostram datas, horários e alterações.

Segundo o Anuário Estatístico da Previdência Social, o Brasil registrou mais de 2,4 milhões de ações trabalhistas em 2023. Desse total, estima-se que entre 15% e 20% envolvam discussão sobre vínculo empregatício de prestadores PJ, conforme levantamento do DIEESE.

O custo médio de uma requalificação, considerando verbas rescisórias retroativas de cinco anos, fica entre duas e quatro vezes o valor pago ao PJ no período. Para um prestador que recebia R$ 15 mil mensais por três anos, a condenação pode chegar a R$ 720 mil ou mais, incluindo multas e correção monetária.

Quando Usar Cada Um: Managefy vs Sistemas DP

A resposta prática para empresas que têm CLTs e PJs é simples: use cada software para aquilo que foi projetado.

Use Sólides, Convenia ou Gupy Quando

Se sua equipe é composta por funcionários CLT, essas ferramentas entregam valor real.

Use Sólides se você quer evoluir do DP operacional para Recursos Humanos estratégico, com foco em desenvolvimento, engajamento e cultura.

Use Convenia se você quer digitalizar o Departamento Pessoal tradicional, automatizando admissão, folha de pagamento, férias e rescisão de funcionários registrados. A integração com eSocial facilita o recolhimento de obrigações.

Use Gupy se você tem alto volume de contratação e precisa de um ATS para atrair, triar e selecionar candidatos em escala.

Use Managefy Quando

Se você tem prestadores PJ na operação, a Managefy resolve as rotinas de DP específicas desse modelo.

Use Managefy quando precisar de cadastro de prestador com validação de CNPJ e documentação comercial.

Use quando quiser aprovar valores antes do pagamento, com alçada de gestor e histórico rastreável.

Use quando precisar de sigilo de valores por perfil, para que nem todo mundo veja quanto cada prestador recebe.

Use quando quiser um portal para o prestador acompanhar seus recebimentos e documentos.

Use quando precisar de Folha PJ para fechar o mês com previsibilidade, sem correria e sem planilha.

Use Ambos Quando

A maioria das empresas de médio e grande porte tem equipe mista: funcionários CLT para algumas funções, prestadores PJ para outras.

Nesse cenário, a resposta é usar cada software no seu domínio. CLTs no Sólides ou Convenia, PJs na Managefy. Cada categoria de profissional gerenciada pelo sistema adequado, sem mistura, sem risco de contaminação de evidências.

Essa separação não é burocracia. É proteção. Manter as rotinas de PJ em software próprio demonstra que a empresa trata prestadores como fornecedores, não como colaboradores disfarçados.

Comparativo Funcional: Managefy vs Sistemas Departamento Pessoal

São 15 funcionalidades onde software de Departamento Pessoal para CLT e Managefy diferem completamente. A tabela abaixo mostra que não existe sobreposição: são ferramentas para públicos diferentes, resolvendo problemas diferentes.

FuncionalidadeSólides/ConveniaManagefy
Admissão CLTSimNão
Contratação PJNãoSim
Folha de pagamento CLTSimNão
Folha PJ com aprovaçõesNãoSim
Controle de pontoSimNão (e não deveria)
Gestão de contratos PJNãoSim
Validação de CNPJ e NFNãoSim
Compliance trabalhista CLTSimNão
Compliance PJNãoSim
Portal do colaborador CLTSimNão
Portal do prestador PJNãoSim
Gestão de benefícios CLTSimNão
Sigilo de valores por perfilNãoSim
Distrato PJ documentadoNãoSim
Trilha de auditoria PJNãoSim

Como Managefy Ajuda a Evitar Caracterização de Vínculo

Além de separar as rotinas de PJ do software de CLT, a Managefy foi desenhada para produzir documentação que evidencia a natureza comercial da relação.

Documentação Correta Desde o Início

O cadastro de prestador na Managefy exige informações de pessoa jurídica: CNPJ, razão social, inscrição municipal, dados bancários da empresa.

O contrato é comercial, com cláusulas que reforçam a ausência de vínculo empregatício: autonomia na execução, possibilidade de subcontratação, definição de escopo e prazo, ausência de subordinação.

Cada pagamento está vinculado a uma nota fiscal emitida pelo prestador. Não existe pagamento “avulso” sem documento fiscal correspondente.

Processos Que Evidenciam Autonomia

O fluxo de trabalho da Managefy foi construído para não criar indícios de subordinação.

Não há controle de horário. O prestador não registra entrada e saída. O software acompanha entregas e prazos, não presença.

As aprovações são de valor comercial, não de “comportamento”. O gestor aprova o pagamento com base no serviço prestado, não em avaliação de subordinado.

A comunicação registrada é de alinhamento comercial: escopo, prazo, ajustes contratuais. Não há espaço para “ordens de serviço” que caracterizem hierarquia.

Trilha de Auditoria Defensável

Caso a empresa seja questionada sobre a relação com um prestador, a Managefy fornece documentação que demonstra tratamento comercial.

Os logs mostram que o prestador foi cadastrado como fornecedor, com CNPJ, desde o primeiro dia.

O histórico de pagamentos mostra notas fiscais como base de cada crédito.

As aprovações registram quem autorizou cada valor e por qual motivo comercial.

Os ajustes contratuais ficam documentados com data, responsável e justificativa.

Essa trilha de auditoria serve como defesa em eventuais questionamentos trabalhistas, mostrando que a empresa tinha processos claros para tratar PJs como fornecedores. É parte fundamental da governança que protege a operação.

A Decisão Que Protege Sua Operação

A escolha entre sistemas de Departamento Pessoal tradicionais e Managefy não é sobre qual é o melhor sistema. É sobre qual serve para cada propósito.

Se você tem funcionários CLT, precisa de software de Departamento Pessoal para CLT. Sólides, Convenia, Gupy, Ahgora, Flash e outras ferramentas resolvem esse problema com competência.

Se você tem prestadores PJ, precisa de sistema para rotinas de Departamento Pessoal de PJ. Usar ferramenta de CLT para esse propósito cria risco trabalhista desnecessário.

Se você tem ambos, precisa de ambos. Cada categoria de profissional no software adequado.

A Managefy existe para cobrir a lacuna que os sistemas tradicionais não conseguem preencher sem criar exposição. Não é concorrente da Sólides ou da Convenia. É complemento, ocupando um espaço diferente no ecossistema de ferramentas da empresa.

A frase que resume: Sólides e Convenia fazem rotinas de Departamento Pessoal para CLT. Managefy faz rotinas de DP para PJ. Cada um no seu domínio, cada um protegendo a empresa no seu escopo.

Perguntas Frequentes

1. Posso usar Sólides ou Convenia para cadastrar meus PJs?

Tecnicamente você pode cadastrar qualquer pessoa em qualquer software. A questão é o risco que isso cria. Cadastrar PJ em sistema de Departamento Pessoal para CLT gera documentação que trata o prestador como colaborador. Em um processo trabalhista, esses registros viram prova de vínculo. A recomendação é manter PJs em software próprio, separado dos CLTs.

2. Qual a diferença entre Folha PJ e folha de pagamento normal?

A folha de pagamento tradicional consolida salários, benefícios, descontos e encargos de funcionários CLT para fechamento mensal. A Folha PJ consolida valores devidos a prestadores, com base em contratos comerciais e notas fiscais, passando por aprovação de gestor. A primeira é obrigação trabalhista. A segunda é processo comercial de gerenciamento de fornecedores.

3. Minha empresa tem CLTs e PJs. Preciso de dois sistemas?

Sim. Essa é a recomendação para empresas com equipe mista. CLTs no software de Departamento Pessoal tradicional, PJs na Managefy. A separação demonstra que a empresa trata cada categoria de forma adequada, reduzindo o risco de caracterização de vínculo dos prestadores.

4. Gupy serve para recrutar PJs?

A Gupy é um ATS focado em recrutamento e seleção. Você pode usar para encontrar candidatos que serão contratados como PJ, mas a plataforma para na seleção. Não há gerenciamento de contrato, nota fiscal, pagamento ou ciclo de vida do prestador depois que ele entra. Para isso, você precisa de outro sistema.

5. Por que controlar ponto de PJ é perigoso?

Controle de ponto é o registro de horário de entrada e saída. Esse controle é um dos principais indícios de subordinação, que caracteriza vínculo empregatício. Se você registra que o PJ bateu ponto às 9h e saiu às 18h, está documentando que controlava a jornada dele. Esse registro pode ser usado contra a empresa em processo trabalhista.

6. Managefy substitui meu sistema de RH?

Não. A Managefy cuida apenas das rotinas de DP para PJs. Se você tem funcionários CLT, continua precisando de software de Recursos Humanos ou DP tradicional para admissão, folha de pagamento, férias, benefícios e rescisão desses colaboradores. A Managefy complementa, não substitui.

7. Como faço para migrar meus PJs de um sistema CLT para a Managefy?

O processo envolve exportar os dados do software atual, adequar os campos para o formato de prestador comercial (CNPJ, contrato, etc.) e importar na Managefy. O time da Managefy oferece suporte nessa migração para garantir que nenhuma informação se perca e que a transição não crie gaps na documentação.

8. Qual o custo de uma requalificação de PJ para CLT?

O custo médio fica entre duas e quatro vezes o valor pago ao prestador durante o período questionado, que pode retroagir até cinco anos. Inclui verbas rescisórias, FGTS com multa, INSS patronal, férias, décimo terceiro e, em alguns casos, dano moral. Para um PJ que recebia R$ 15 mil mensais por três anos, a condenação pode superar R$ 700 mil.

Próximo Passo: Avalie Seu Risco

Se sua empresa usa software de Departamento Pessoal para gerenciar prestadores PJ, vale fazer uma análise de risco. Verifique se existem registros de férias de PJ, registro de ponto, avaliações com critérios de subordinação ou pagamentos sem nota fiscal.

Caso encontre esses indícios, a separação dos sistemas é urgente. Quanto antes você migrar os PJs para uma ferramenta adequada, menor o período de exposição documentada.

A Managefy oferece demonstração gratuita para empresas que querem entender como organizar as rotinas de DP dos seus PJs com segurança. Entre em contato para agendar.

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